Tudo começou em 2008 no Museu de Etnologia de Lisboa. Eu era assistente de investigação — basicamente passava dias entre arquivos, catálogos, artefatos fechados em vitrinas. Havia um problema óbvio: os objectos estavam ali preservados, mas as histórias que as pessoas guardavam na memória estavam a desaparecer.
Licenciada em Antropologia pela Universidade de Coimbra, comecei a sentir que o trabalho académico tradicional não era suficiente. Precisava de sair do museu e falar com as pessoas — os artesãos, as avós que ainda sabiam fazer broa à moda antiga, os organizadores das festas que ninguém documentava.
A mudança real veio quando entrei num projecto da UNESCO sobre património imaterial. Passei a viajar pelo interior — Trás-os-Montes, Beira Interior, zonas rurais onde as tradições ainda respiram. Viajei para registar romarias, técnicas de artesanato, receitas transmitidas oralmente há séculos. Conversas à volta de uma mesa de cozinha revelavam mais sobre a cultura portuguesa do que qualquer livro.
Depois da pós-graduação em Estudos de Gastronomia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, comecei a publicar artigos. Revistas especializadas, blogs culturais, projectos editoriais. A transição foi natural — escrever permitia-me chegar a mais gente e transformar histórias locais em recursos educacionais. Agora, na Raízes Lusitanas, coordeno toda a produção editorial, garantindo que cada peça reflete rigor académico e autenticidade genuína.